Eduardo Belga

octubre 3, 2018

© Eduardo Belga

© Eduardo Belga, 2018

 

Olá Roger!

Finalmente está terminado! Foi uma longa jornada, e muito singular, meu caro! Agradeço-lhe imenso o convite.

Foram 6 meses desde que comecei este desenho, a verdade é que poderia tê-lo acabado em um mês, mas os percalços que acompanharam este papel com tinta o levaram para uma dimensão complexa psicologicamente.

Pois bem, comecei-o despretensiosamente, no intuito de testar por uma segunda vez esta caneta que me apaixonei, preta e fina ao mesmo tempo que cumpriria com sua demanda de ilustração. Esbocei qualquer coisa à lápis rápidamente para poder partir logo para o desenho com a preciosa caneta. Havia pensado no homem sentado no caixão -como quem ressuscitou e levantou-se – , a menina no colo, aves por cima e porcos por baixo. Desenhei o rosto do Noah, imaginei o velho Noé da bíblia, mas estranhamente ele ficou muito parecido comigo. Coloquei longas sobrancelhas e cabelos brancos, dentes tortos, cenho muito franzido e ainda assim todos que viam diziam que o velho era na verdade um auto-retrato.

Tentei modificá-lo pois comecei a ficar supersticioso com este desenho, comecei a achar que era um boneco-de-vodu, pois assim que desenhei os olhos arrancados pelos frangos, e bem quando decidi que seriam varios olhos saindo das órbitas, foi quando ao olhar pela janela do meu quarto, percebi que estava com um problema de visão muito estranho. Fui ao hospital, o oftalmologista não identificou nada e chamou os neurologistas para avaliarem minha diplopia (os objetos que vejo de longe ficam duplicados, este é o principal sintoma) (…)

Foi minha primeira internação. Fiquei direto no hospital e passei três dias internado num leito coletivo de neurologia. E o desenho estava comigo.
Este desenho foi feito no melhor papel que ja tive na vida, um Fabriano 600gr, presente da artista Maria Helena. Essa destreza do papel me permitia metê-lo na mochila e levá-lo para onde quer que fosse. Então desenhei no hospital, mais tarde quando tive alta (e meu problema de vista persiste até hoje, mesmo depois de ressonância magnética, ultrassom e exames de sangue, nada ainda foi diagnosticado) fui para França com ele, atravessei o Hellfest com ele. Este desenho dividiu comigo a atmosfera de concertos incríveis! desenhei em Paris, passeei com ele pelo D’Orsay, pela casa do Gustav Moreau, pelo jardim do Monet em Normandia.

Nestes seis meses se levar em conta o tempo que fiquei desenhando, é na verdade bem pouco. Pelo tempo de trabalho este desenho poderia estar acabado em 2 semanas. Mas como uma bebida destilada em barris de carvalho, penso que esta exposição prolongada conferiu uma aura particular para esta criação. Espero que goste e que a espera tenha valido.

Grande abraço,
Eduardo Belga

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